
Religião do intelecto VERSUS Religião do espírito
A. W. Tozer
Há uma qualidade profundamente espiritual e inteiramente mística na religião do Novo Testamento, que não podemos desconsiderar se pretendemos ser cristãos na prática e no nome.
Eu penso que devemos deixar que nosso coração adorador decida nossas questões teológicas. Depois de nos assegurar da pureza do texto, e a mente certificada de que a tradução é confiável, a melhor fonte de informações da verdadeira luz é sempre o coração iluminado pelo Espírito. Um coração que ora, ardendo de amor a Deus, haverá de intuir a verdade, penetrará além do véu e verá e ouvirá aquilo que não é lícito dizer, e que, de fato não pode ser pronunciado nem mesmo entendido intelectualmente.
Tenho como opinião que a verdadeira linha de batalha na guerra teológica de nossos dias não é a que separa o fundamentalismo do liberalismo. Essa guerra já foi travada e vencida. Ninguém precisa mais de forma alguma confundir-se quanto a questão da teologia bíblica versus a invenção humana do liberalismo. Ambos os lados já disseram o que tinham de dizer, e o fizeram corajosamente. Qualquer um pode saber exatamente onde se encontra em assuntos como a inspiração das Escrituras, a divindade de Jesus Cristo, a salvação através do sangue da expiação, morte e juízo, céu e inferno. A verdadeira linha de batalha se encontra noutro lugar.
O conflito decisivo em religião sempre se dará onde se chocarem conceitos importantes, conceitos de tal forma vitais que são capazes de salvar ou destruir a fé cristã na geração em que são contestados. Nessa conjuntura crítica na história da igreja, o verdadeiro conflito é entre aqueles que se apegam a um Cristianismo objetivo capaz de ser entendido inteiramente pelo intelecto humano e aqueles que crêem que existem áreas da experiência religiosa tão altamente espirituais, tão afastadas e tão elevadas acima da mera razão, que é necessária uma unção especial do Espírito Santo para torná-las compreensíveis ao coração humano. A diferença não é meramente acadêmica. Se os advogados do intelectualismo religioso forem bem sucedidos em dirigir a igreja nesta geração, a próxima geração de cristãos se tornará vítima fatal de ortodoxia morta.
Numa conversa com um dos mais bem conhecidos devotos do neo-intelectualismo dos círculos evangélicos, eu lhe perguntei francamente: "Você de fato crê que é possível entender com o intelecto humano tudo o que é essencial na fé cristã?" Sua resposta imediata foi: "Se eu não pensasse assim, estaria indo direto ao agnosticismo". Eu não disse a ele, mas poderia muito bem ter dito: "E se você crê assim, você está a caminho do racionalismo". Porque essa é a verdade.
Uma das questões mais difíceis de responder hoje é por que tantos bons e aparentemente sinceros líderes cristãos estão-se afastando tão rápido e para tão longe do ensino simples e das práticas do Novo Testamento. Elementos destrutivos estão sendo inocentemente introduzidos na adoração e nos cultos de hoje por evangélicos que amam a Bíblia, elementos tão opostos ao gênio autêntico do Cristianismo que os dois são mutuamente exclusivos. Um ou outro tem de desaparecer. Ou esses tumores parasitas são destruídos ou eles em pouco tempo destruirão a fé cristã. Contudo essas coisas mortíferas são incentivadas nas igrejas por alguns dos mais zelosos líderes ortodoxos. Por quê?
A resposta é mais simples do que podemos imaginar. Esses líderes estão dependendo de suas mentes para guiá-los em suas práticas religiosas. Eles concebem a verdade como um depósito doutrinário, uma espécie de mapa rodoviário teológico para conduzi-los ao céu. Eles examinam o mapa para certificar-se de que estão na direção certa, e depois disso avançam sozinhos. Não se faz necessário um Guia Invisível. Se são assaltados por dúvidas, precisam apenas parar sob um poste de rua e certificar-se de que de fato "aceitaram" a Cristo. Depois avançam novamente completamente confiantes de que estão trilhando a mesma estrada dos apóstolos e profetas.
A questão levantada por muitos hoje — por que a religião cresce e ao mesmo tempo fracassa moralmente — encontra sua resposta nesse exato erro, o erro do intelectualismo religioso. Os homens têm aparência de piedade, mas lhe negam o poder. O mero texto não eleva a vida moral. Para tornar-se moralmente efetiva, a verdade tem de ser acompanhada de um elemento místico, esse mesmo elemento fornecido pelo Espírito da verdade. O Espírito Santo não será banido a uma mera nota de rodapé sem que tome terrível vingança contra aqueles que O desprezam dessa forma. Essa vingança pode ser vista hoje no fundamentalismo nervoso, cheio de gracejos, mundano e completamente carnal, que se alastra sobre nossa terra. Doutrinariamente, ele veste o manto da crença bíblica, mas além disso nem de longe se parece com a religião de Cristo e de Seus apóstolos.
A misteriosa presença do Espírito é vitalmente necessária se queremos evitar as armadilhas da religião. Da mesma forma que a coluna de fogo guiou Israel no deserto, assim o Espírito da verdade tem de nos guiar por toda a nossa jornada aqui. Há um texto bíblico que poderia consertar as coisas para nós de forma poderosa, se só lhe quiséssemos obedecer: "Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento" (Pv 3.5).
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem (Jo 10.27).
Ao homem que teme ao SENHOR, Ele o instruirá no caminho que deve escolher (Sl 25.12).
Aplica-te ao estudo da Palavra.
Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto (Is 55.6).
Onde está, ó morte, o teu aguilhão? (1Co 15.55)
Orar bem é estudar bem.
Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente (Is 40.8).
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Em tudo dai graças (1Ts 5.18).
Ao homem que teme ao SENHOR, ele o instruirá no caminho que deve escolher (Sl 25.12).
Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez os céus e a terra (Sl 121.1-2)
A vereda dos justos é como a luz da aurora, que brilha mais e mais até ser dia perfeito (Pv 4.18)
Deus tudo vê
Não temais, pequenino rebanho.
