
Todos nós pensamos de forma circular
A. W. Tozer
Tanto os ministros como os escritores cristãos são, muitas vezes, acusados de sempre se repetir. A implicação disso é que uma ideia, uma vez exposta, deveria ser deixada para trás, para nunca mais ser mencionada. O raciocínio parece ser que as ideias são como os dias de aniversário: ninguém pode repeti-los, ou, se o fizer, alguma coisa está errada com a memória ou com a honestidade dessa pessoa.
A verdade é que todos nós pensamos de forma circular. É totalmente impossível embarcar no trem de um pensamento e avançar numa linha reta a partir desse ponto inicial. Somos todos compelidos pela nossa estrutura mental a nos mover em círculos, transmitindo de vez em quando as mesmas ideias, as quais nos parecem como amados e conhecidos pontos de referência.
O conjunto de ideias acessíveis à raça humana é relativamente pequeno, e são essas ideias que compõem toda a construção do pensamento humano possível a qualquer um, desde um aluno do primário até Platão. Talvez se acrescentem novos fatos à soma do nosso conhecimento dia após dia até ao fim da nossa vida, mas isso não faz mais do que alargar um pouco a tapeçaria; eles não podem mudar a cor nem alterar muito o modelo. A grandeza reside na habilidade de combinar e recombinar as velhas e conhecidas ideias para formar novas e "originais" belezas.
Isso não quer dizer que todos os homens sejam iguais na aquisição de ideias. Eles com certeza não o são. Alguns procuram tecer com apenas uma pequena fração das ideias que conseguem reter quando aproveitam as oportunidades que a vida proporciona; em consequência, a sua tapeçaria é monótona e repetitiva. Mas o mais estudado sábio ou o pensador mais profundo só tem um pouco mais de ideias com que trabalhar.
Se a mera exposição desse fato desanimar alguém, seria bom lembrar que os maiores artistas dos séculos foram obrigados a pintar as suas obras primas com apenas sete cores básicas. A sua genialidade os capacitou a criar inumeráveis combinações e sombras, mas sem descobrir nenhuma nova cor. E as tremendas obras de um Beethoven ou um Donizetti não são mais do que um punhado de tons musicais habilmente combinados.
Dessa forma, a arte criativa dos gênios bem como os mais humildes pensamentos do menos favorecido ministro têm de girar obrigatoriamente num círculo conhecido. E isso é verdade em cada campo do pensamento humano, inclusive na teologia cristã. Existem, por exemplo, 150 salmos na Bíblia, cada um dos quais é um tesouro em si mesmo e de valor inestimável ao coração que adora. Contudo, se fôssemos eliminar toda repetição, conseguiríamos reduzir a coleção a uma simples meia dúzia ou menos. Os mesmos pensamentos brilhantes aparecem repetidas vezes, como as cores numa pintura ou as notas musicais numa sinfonia; mas eles não cansam a mente inflamada com o amor a Deus; cada pensamento, maravilhoso e já conhecido, parece tão novo e tem um tal frescor como se tivesse sido descoberto há poucos instantes.
A mesma coisa é verdade quanto ao Novo Testamento. Se algum crítico decidisse a seu próprio critério não permitir que Paulo expressasse a mesma ideia duas vezes, reduziria para algumas poucas as oitenta páginas que suas treze epístolas ocupam na maioria das Bíblias em nossa língua. Contudo nenhum cristão nem mesmo pensaria em permitir uma tal violência. O que nós queremos é que todas as Epístolas de Paulo permaneçam exatamente como são. As ideias que elas contêm não são muitas, mas elas são como pilares que sustentam o universo, e como resultado delas se ergue o altíssimo templo da doutrina cristã, à sombra do qual, por séculos, os homens têm vivido suas jubilosas vidas e por quem alegremente entregaram a vida quando isso foi necessário.
Assim também o hinário revela a mesma abundância de beleza que cresce em espantosa profusão a partir de umas poucas ideias básicas. Repare no índice de qualquer hinário bem organizado, e você verá que os hinos que ali se encontram cobrem relativamente poucos tópicos: Deus, Cristo, o Espírito Santo, a cruz, a ressurreição, etc. Examine qualquer hino, ou dez hinos, ou cem, à busca de verdadeiras ideias teológicas, e você descobrirá apenas algumas; mas quando combinadas e aplicadas às necessidades humanas ou oferecidas como expressão lírica de amorosa adoração, essas poucas ideias são tudo de que precisamos para este mundo e para o próximo. Dessa forma, cantamos alegremente em círculos, e a recorrência do conhecido, em vez de nos aborrecer, na verdade nos dá alegria e prazer, como a visão de nossa casa depois de um breve tempo longe.
Alguns pregadores têm uma tão grande fobia pela repetição e um tão terrível medo daquilo que é rotineiro, que estão sempre se esforçando pelo diferente e pelo impressionante. Quase em cada domingo, o boletim da igreja anuncia pelo menos um ou dois tópicos de sermão tão fora do caminho, ao ponto de serem francamente grotescos; é somente pelo mais ousado voo de imaginação descontrolada que se pode estabelecer alguma ligação entre o tópico e a religião de Cristo. Nós com certeza não nos atrevemos a contestar a honestidade ou a sinceridade dos homens que batem suas curtas asas tão rapidamente num esforço de se alçar no vasto infinito azul, mas com certeza lamentamos as suas atitudes. Ninguém jamais deveria tentar ser mais original do que um apóstolo.
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem (Jo 10.27).
Ao homem que teme ao SENHOR, Ele o instruirá no caminho que deve escolher (Sl 25.12).
Aplica-te ao estudo da Palavra.
Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto (Is 55.6).
Onde está, ó morte, o teu aguilhão? (1Co 15.55)
Orar bem é estudar bem.
Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente (Is 40.8).
![]()
Em tudo dai graças (1Ts 5.18).
Ao homem que teme ao SENHOR, ele o instruirá no caminho que deve escolher (Sl 25.12).
Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez os céus e a terra (Sl 121.1-2)
A vereda dos justos é como a luz da aurora, que brilha mais e mais até ser dia perfeito (Pv 4.18)
Deus tudo vê
Não temais, pequenino rebanho.
